
A traficante Jasveen Sangha, conhecida como “rainha da cetamina”, foi condenada a 15 anos de prisão nos Estados Unidos em abril de 2026, por seu envolvimento na morte do renomado ator Matthew Perry, ocorrida em 2023. A investigação apontou que parte da substância que levou ao falecimento do ator chegou a ele por meio da condenada. O caso reacende o debate sobre os perigos do uso descontrolado da cetamina, uma substância com aplicações médicas legítimas, mas com potencial letal fora de um ambiente clínico.
A cetamina, identificada como a causa da morte no laudo toxicológico de Matthew Perry, é um anestésico amplamente utilizado na medicina humana e veterinária, conhecido por sua ação rápida na sedação e controle da dor. No entanto, ela também circula ilegalmente, apresentando efeitos imprevisíveis quando usada sem controle médico. O relatório forense concluiu que Perry morreu devido aos “efeitos agudos da substância”, que o levaram à perda de consciência e, consequentemente, ao afogamento em uma banheira de hidromassagem.
A substância, também conhecida como quetamina ou ketamina, é classificada como um anestésico dissociativo, capaz de alterar a percepção da realidade e do próprio corpo. Embora seus primeiros registros de uso recreativo datem dos anos 1970 nos Estados Unidos, sua circulação em festas e clubes se intensificou a partir da década de 1990, especialmente no Reino Unido, onde é popularmente chamada de “special K”, “keta” ou “key” no mercado ilegal. Curiosamente, a cetamina também ganhou espaço na psiquiatria nos últimos anos, mostrando um efeito rápido na melhora do humor em casos de depressão resistente, diferentemente dos antidepressivos tradicionais.
Em 2020, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o cloridrato de escetamina, um derivado da substância, como antidepressivo em spray nasal para adultos com depressão resistente ou transtorno depressivo maior com risco de suicídio.
Fora do contexto médico, os riscos da cetamina aumentam drasticamente. A substância atua diretamente no sistema nervoso central, interferindo no processamento cerebral de estímulos. Em doses menores, pode causar euforia e alterações sensoriais; em doses maiores, compromete funções básicas, levando à perda de coordenação, dificuldade de resposta e, em casos extremos, perda completa de consciência, como ocorreu com Matthew Perry. O uso repetido e descontrolado também pode levar à dependência, um risco considerável de abuso, conforme alertado por especialistas. A diferença entre o uso médico, com doses calculadas e monitoramento contínuo, e o uso ilegal, sem controle de dose ou procedência, é crucial para entender por que um medicamento seguro em ambiente clínico pode se tornar fatal fora dele.


